Publicado em dificuldades, maternidade

Amamentação: dura realidade

Eu nunca tive dúvidas que iria amamentar meus filhos. Para mim sempre foi algo natural, ou animal, afinal somos mamíferos, não?

Mas meus problemas começaram cedo. Não tenho a anatomia necessária para facilitar o sucção. Muitas mulheres tem o chamado bico do seio plano outras o invertido. Eu me encaixo no primeiro time. Então, logo que engravidei, comecei a pesquisar sobre o assunto. A maioria dos textos dizia não ser um grande problema, já que o bebê deve abocanhar o mamilo todo, não só o bico. Mas recomendavam o uso de conchas para ajudar a “sair”o bico para fora, além de outras técnicas (como puxar, sugar, etc).
Tentei de tudo, mas eles não saíram nem que eu quisesse. Acho que nem promessa resolveria.
Além disso, hoje há uma controvérsia muito grande sobre a preparação do seio para a amamentação. Uns dizem ser necessário “machucar”o seio antes, passando buchas, tomando sol, não passando hidratante, tudo para deixar o seio mais “calejado”. Outros dizem que nada disso é necessário, já que o que machucaria o peito é a pega incorreta. Bastaria o banho de sol e aprender a colocar o bebê na posição certa. Optei por não me machucar sem necessidade…
Pois bem, o filhote nasceu e eu só pude amamentá-lo quase 14 horas depois que ele nasceu em razão do alojamento em alas diferentes no hospital. O colostro desceu, mas a técnica de amamentar é muito mais complexa do que eu poderia imaginar.
Primeiro porque sem o bico anatomicamente correto o pimpolho não pegava o seio. Tive que usar um anteparo de silicone para fazer as vezes. Aí as coisas começaram a melhorar. Mas esse tal de colostro é o que há, para ser bem sincera. Pelo menos o meu não era suficiente para alimentar meu filho. Essa é a verdade! Ele chegou a ficar 1 hora mamando a berrava de fome. Berrava. Aí apelei para o complemento. Naquele momento, sem culpa.
Saímos da maternidade com a recomendação de continuar a usar o bico falso até o meu aparecer, além de dar até 30ml de Aptamil se eu percebesse que ele ainda estava com fome. Advinha o que aconteceu? O leite demorou 3 dias para descer. Nesses 3 dias, o bebê vez ou outra tomava mamadeira.
Mas o leite desceu sim, em uma quantidade que não era o suficiente. Podem falar o que quiser. Que temos o leite suficiente para nossos filhos, que o corpo é feito para isso. Só se for o dos outros, porque meu filho berrava de fome depois de mamar os dois seios por mais de 1 hora.
Além disso, ganhei uma fissura no seio esquerdo. Jorrava sangue da ferida. Optei naquele momento por ordenhar o seio e dar o leite na mamadeira, enquanto a ferida não fechava. Em dois dias comecei a me sentir mal. Medi minha temperatura: 39 graus e o seio todo dolorido e empedrado. Diagnóstico: mastite! Beleza, heim?!
Passei a tomar antibiótico e anti-inflamatório. Além de ter sido “obrigada” a dar o seio fissurado para o filhote mamar. Só quem passou por isso sabe a DOR que é. Chorei de dor todas a vezes. Isso faz duas semanas e ainda está ferido.
As mamadeiras ainda eram necessárias. Começaram com até 30ml e em algumas mamadas o bebê tomava 90ml. Fomos na primeira consulta do pediatra e saí de lá com uma receita de plasil, ocitocina sintética e dar o seio mesmo que estivesse vazio. E assim está sendo feito desde o dia 6 de fevereiro. Se melhorou? Sim. Muitas vezes, principalmente nas mamadas da madrugada, não preciso de mamadeira. Mas pela manhã, mesmo mamando no seio, preciso de uma. Assim como no final da tarde. Tenho a impressão, para não dizer certeza, de que não dou conta mesmo da fome dele.
Pode parecer desculpa para muitas mães que passarem por aqui. Vão dizer que é mentira, que tenho preguiça, que não me esforço. Mas alguém pode me dizer porque o peito de uma amiga que teve a filha 20 dias depois de mim jorra leite a ponto de ter que doar para não ter desperdício e o meu não chega a molhar o absorvente de seio?
Esse é o primeiro post-desabafo de uma recém-mãe, um pouco frustrada consigo e com as circunstâncias. A maternidade é ótima, mas nem sempre é colorida como dizem por aí
Anúncios