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Dados

Segundo, a Folha de São Paulo “A gripe comum foi responsável por 17 mortes por dia em São Paulo no ano passado. Ao todo, 6.324 pessoas morreram na cidade em 2008 devido a males provocados pela gripe, como pneumonias, bronquites e outras doenças pulmonares”.
“Para chegar a esses números, a Folha tabulou os dados do Tabnet (sistema da prefeitura de São Paulo que disponibiliza números de mortalidade na cidade) com base em critérios do Ministério da Saúde.”
“Nesta semana, o ministério anunciou que 70.142 pessoas foram mortas pela gripe sazonal no país em 2008.”

Agora me digam: cadê o alarde? Não tem, né? Assustar a população, dando notícias sobre mortes causadas pela gripe suína o jornal faz quase em tempo real. Todo o santo dia, em todo o telejornal. Agora dizer que morre tudo isso de gente por causa de uma gripe comum e suas complicações ninguém fala. Por quê?

Porque não dá manchete! Não aumenta a audiência! Eles poderiam, ao menos, falar a verdade por inteiro, não?

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Paranoia


Chega a ser engraçado ver o quanto o ser humano é catastrófico. Levando em conta só as últimas epidemias (não vamos falar de previsões sobre o fim do mundo, gurus e afins), a raça humana já esteve a beira da extinção umas 10 vezes nos últimos anos. Não se leva em conta que isso não aconteceu, o negócio é fazer barulho.

A bola da vez é a gripe suina, ou melhor, A(H1N1), já que o pessoal da suinocultura ficou bravo com a associação. Os jornais não têm outro assunto. Faz semanas que estamos assistindo reportagens cada vez mais assustadoras. Pandemia. Contaminação rápida. Mortes…

Fui procurar saber. Morreram até agora no máximo umas 20 pessoas. Pode até parecer assustador mesmo, já que o vírus é novo, não temos anticorpos. Dizem que todos seremos atingidos. Agora me pergunto (sem perder o respeito por aqueles que sucumbiram) precisa de tudo isso?

Por ano morrem 20.000 pessoas de Doença de Chagas (somente nas Américas). Milhares de cólera (só no início desse ano foram quase 2.000 pessoas no Zimbábue). De Leishmaniose são 60.000 (lembrando que aqui na Terra de Malboro ela é endemica)!!! E entre 200 e 500 mil pessoas no mundo gripe comum. E essas são as que eu consegui dados!

E ninguém divulga essas informações; quando fazem, não tem alarde algum. Sabem por quê? Com exceção da gripe comum que pode atingir qualquer pessoa, as outras doenças são características de países pobres. E isso não rende notícia.

Dizer que morrem milhares de pessoas na África é lugar comum. Mas uma doença que pode atingir a Holanda, os EUA, é assustadora. Os laboratórios já estão empenhados em descobrir a vacina. Mas para a Leishmaniose, por exemplo, só existe a vacina para animais (por razões comerciais).

Tanto alarde… pouca razão…

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Momento "vergonha alheia"

Por quê toda vez que algum representante de governo estrangeiro vem ao Brasil temos que colocar mulatas rebolantes para recepcioná-lo?


Sua Alteza príncipe Charles e a esposa, a Duquesa da Cornualha (fala sério! Depois reclamam das sogras que ficam com a chave da despensa. Isso é fichinha perto de ter recebido um título desses da sogrita) estão aqui no Brasil. A gente sabe que eles não apitam nada na política internacional, que essas visitas servem para estreitar relações comerciais, blá, blá…

Mas precisava colocar aquelas mulatas? Nada contra elas, o problema é a situação. A Charles já não é mais um rapaz (parece que da primeira vez ficou “encantado” com o dotes de uma das moças), o assunto não era o carnaval (e sim o meio-ambiente). Sem contar que a gente luta tanto para acabar com essa imagem estigmatizada que os forasteiros têm da gente (mulheres + Brasil = bacanal – no mínimo).

Mas não foi só isso. Ainda trouxeram o Raoni (só faltou o Sting), levaram os dois numa favela (tá, não era turismo, mas sim para mostrar o trabalho de uma ONG), e ainda deram uma pá(!) para eles plantarem um ipê e um pandeiro para sua Alteza mostrar a habilidade musical. Mais mico impossível.


Depois queremos que eles nos levem a sério. Não era melhor levarem os dois para verem como reciclamos nosso lixo, o que fazemos com nossos aterros sanitários? Mostrar como estamos tentando preservar o que resta da mata atlântica ou evitar que madereiros acabem com a amazônia?

Talvez porque, tirando a parte da recliclagem, estamos fazendo muito pouco para melhorar o restante. Pensando bem, melhor deixar as mulatas.

PS: não me venham dizer que nós somos melhores do que eles, que esse negócio de monarquia é ridículo, etc Se é para falar em tradição, porque não recepcioná-los com frevo, bumba-meu-boi, congadas… afinal, tudo isso é tradicional.

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Judiação

Acho que a manchete já diz tudo. Que judiação com os “novos” pais, com o bebê, com a família.

Tá certo que, não faz muito tempo, as pessoas se casavam e tinham filhos muito cedo. Carlota Joaquina casou aos 10! Mas isso acontecia numa época na qual a expectativa de vida era pequena. Onde as crianças era consideradas adultos em miniatura, inclusive (já na Revolução Industrial) trabalhando como tal.

Também concordo que existem culturas que ainda hoje aceitam e incentivam o casamento precoce. Não sei se é o correto (a questão cultural não pode ser desculpa para tudo nesse mundo), mas pelo menos essas crianças são preparadas para enfrentar isso.

Agora esses dois não foram criados para serem pais tão precocemente. O rapazinho ainda devia brincar nas horas que não estava “molhando o biscoito”. É uma ruptura com a infância grande demais.

Mais uma vez me pergunto: onde estavam os pais dessas crianças? Que não orientaram, não perceberam nada, ou não quiseram ver nada! Uma pena…

Publicado em indignações, viagem

Triller


Parece até filme de terror. Navios aparentemente inofensivos, circulando pela costa do país. Neles, passageiros sorridentes loucos para aproveitar as férias embarcam sem ter noção do que os espera.

O take é cortado para outra cena. Já está escuro e aparentemente nada de estranho está acontecendo. Mas quando mesmo se espera, alguém começa a passar mal. Vai ao ambulatório médico e ali, na porta, descobre que tem que pagar para ser atendido. Sim, a caipirinha é de graça, mas o médico nunca! O desespero aumenta, mas a auxiliar é irredutível. Ou paga, ou vai morrer ali mesmo.

O passageiro desesperado corre para sua cabine em busca de dinheiro. É inútil tentar encontrar algum parente dentro daquele monstro imenso. Ele está suando, o mal estar está cada vez maior. Mas mesmo assim, só é atendido depois de entregar os dólares e assinar o recibo.

Quando ele acha que tudo vai dar certo, se depara com o médico. Um estrangeiro! Porque não basta pagar tudo em dólar, tem que ser atendido por um “cucaracha” qualquer que nem entende o português.

No final, é medicado. Mas não dá certo. Ele continua passando mal. E o fim é o de todo filme de terror. Que assim como comédias românticas com finais previsíveis, todos sabemos como vai ser a cena derradeira.

Pode parecer brincadeira, mas desde que o verão começou todos os dias o jornal traz notas tristes sobre cruzeiros. Mortes, intoxicação alimentar, acidentes, abuso de bebida e drogas (em cruzeiros estudantis!). Onde estão os orgãos da Polícia Federal e a Vigilância Sanitária para resolver isso? Vão esperar morrer mais quantos para dar fim nessa pouca vergonha? Só no Brasil mesmo…