Publicado em Jeri, nordeste, viagem, vida

Maior furada

Todo mundo tem uma boa roupada para contar. Eu tenho várias. Mas algumas são mais marcantes dos que as outras. E, sem dúvidas, essa marcou…

Um dos passeios que fizemos aqui na Terra de Malboro foi conhecer Jericoacoara; Jeri, para os íntimos. Escolhemos um hotel lindo e partimos daqui num 4×4 para poder chegar sem precisar deixar o carro em Jijoca (30km antes de Jeri). Para quem não sabe, de Jijoca até Jeri só tem duna. Carros normais chegam, mas tem que ter manha, senão vai ficar atolado.

Depois do almoço, perguntamos para o garçon o que tinha para fazer naquela tarde. Passeio até a Pedra Furada, ele disse. É perto, dá para ir pela areia. E nessa época do ano sol desce “dentro” da pedra. Ficamos empolgados e fomos.

O querido só esqueceu de dizer que a maré estava alta, então era impossível ir pela areia. Tivemos que partir para as dunas. E andamos, viu? Depois de umas 3 dunas, começamos a perguntar para o povo que estava voltando se faltava muito. Todo mundo dizia que não (deveriam todos ser mineiros!!!). A cada duna que vinha a gente torcia para ser a última.
Não é de um avião, mas do alto da primeira duna
Quase chegando…
Eu, que sou prevenida, tinha levado na mochila uma garrafa d’água. Para mim, é claro! Que a sogra jogou toda na cabeça num momento de “queda de pressão”. No final, chegamos na famosa Pedra Furada depois de 2 horas! Quase na hora do pôr-do-sol. Tudo lindo. Uma muvuca louca. Conseguimos comprar fiado (!) – não levamos dinheiro, afinal era perto – água de um vendedor solidário.
A pedra

Só que escureceu. E ninguém tinha uma lanterna. O povo foi subindo o morro de volta e a sogra disse que não tinha condições. Já estava conformada em ter que passar a noite naquele lugar, até chegar ajuda. O vendedor da água ficou com pena (ou preocupado em receber o dinheiro) e resolveu guiar a gente. Só que ele ia pelo mar (gente, o cara faz esse caminho 5x por dia! Ida e volta trazendo um isopor de água na cabeça!). Fomos nós, em fila indiana, com a água quase pela cintura, sem enxergar um palmo na frente. A única garantia era o tiozão que queria receber o dinheiro dele!

Levamos meia hora para voltar (o povo da duna deve ter levado umas 3 horas naquele escuro). Cansados. Esfomeados. E devedores! O tiozão acabou levando R$50 de gorjeta e deve estar rindo até hoje…